
Empresa de telefonia vai à falência; saiba qual
Uma das maiores operadoras de telefone e telecomunicações do país teve sua falência decretada nesta semana pela Justiça do Rio de Janeiro. A decisão, proferida em 10 de novembro de 2025, encerra uma longa e turbulenta jornada, marcada por graves dificuldades financeiras e dois processos de recuperação judicial.
A situação crítica decorre da insolvência técnica e patrimonial da companhia, que acumulava dívidas bilionárias e não conseguia mais gerar caixa suficiente para cobrir suas operações e obrigações. A operadora já estava em sua segunda tentativa de reestruturação judicial, buscando evitar o colapso desde 2016.
A gigante em colapso
A empresa de telecomunicações que teve seu destino selado pela 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro é o Grupo Oi S.A.. A juíza Simone Gastesi Chevrand apontou que a operadora é “tecnicamente falida”.
A decisão judicial foi tomada após a própria empresa e seu interventor judicial, Bruno Rezende, reconhecerem a impossibilidade de pagamento das dívidas. A dívida acumulada pelo grupo era de aproximadamente R$ 1,7 bilhão, com a receita mensal sendo de apenas cerca de R$ 200 milhões.

Crise de liquidez: o que é insolvência técnica?
A insolvência técnica ocorre quando o passivo de uma companhia supera seu ativo, indicando a falta de viabilidade econômica para cumprir as obrigações. Um relatório anterior, de outubro de 2025, já havia apontado que o caixa da operadora fechou setembro com apenas R$ 34 milhões.
Esse valor foi considerado insuficiente para cobrir as despesas operacionais. A projeção de déficit para o mês seguinte era de R$ 178 milhões, comprometendo a capacidade de sustentação das operações.
Falência da Oi: o que acontece com os serviços de telefone essenciais agora?
Apesar da falência decretada, a Justiça carioca determinou a continuidade provisória das atividades da Oi sob gestão judicial. Essa medida visa garantir a conectividade da população nacional e a manutenção de serviços essenciais prestados a órgãos públicos e privados.
A rede da antiga concessionária ainda é vital, servindo de suporte para diversos serviços essenciais à população. A Justiça precisou atuar para evitar um “colapso nacional” nos serviços públicos.
Leia também:
- Doramas: entenda porque fazem tanto sucesso e como a febre começou!
- Vencedor do Oscar estará em evento na periferia brasileira; saiba mais
- Bolsa Família, Auxílio Gás e BPC: quais pagamentos estão definidos para novembro?
A falência da Oi afeta o controle de tráfego aéreo e operações bancárias?
Sim, a falência da Oi gera risco sistêmico, impactando setores estratégicos. A operadora mantém contratos ativos com o Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta). A liquidação judicial poderia acarretar riscos operacionais consideráveis no tráfego aéreo civil e militar.
Os serviços da Oi também são cruciais para a área financeira, garantindo a conectividade de cerca de 13 mil casas lotéricas da Caixa Econômica Federal. Além disso, a companhia opera os serviços de emergência 190 (polícia), 192 (Samu) e 193 (bombeiros).
Como a Oi chegou à falência após vender seus principais ativos?
A Oi iniciou sua primeira recuperação judicial em 2016 com uma dívida de R$ 65 bilhões. Nos anos seguintes, a empresa vendeu seus ativos mais importantes na tentativa de reestruturação financeira.
Sua operação móvel, por exemplo, foi vendida para concorrentes como Claro, TIM e Vivo. A rede de fibra óptica também foi transferida para a V.tal, uma empresa de infraestrutura da qual a Oi é parceira.

O que é o bloqueio do caixa da V.tal?
A juíza determinou o bloqueio do caixa restrito da V.tal, montante que seria destinado à empresa de infraestrutura. A decisão foi tomada sob o entendimento de que os repasses estavam comprometendo gravemente o fluxo de caixa da Oi.
A magistrada criticou duramente a gestão, mencionando a “liquidação sistêmica” que esvaziou a companhia. A Justiça suspendeu ainda todas as ações e execuções contra o grupo e proibiu a venda ou transferência de quaisquer bens da operadora.
Qual o histórico da crise financeira que levou ao colapso?
A Oi, que já foi uma das maiores concessionárias do país, enfrentou notórios problemas financeiros desde 2016. Após a primeira recuperação judicial, o plano foi concluído em 2022, mas a empresa rapidamente voltou a pedir proteção judicial em 2023, com passivo superior a R$ 44 bilhões.
Os resultados positivos da companhia nos últimos anos não vieram da atividade operacional, mas sim da “alienação de ativos e contratação de empréstimos”. A decretação da falência encerra o ciclo da antiga “supertele nacional”.
