
Chip pode devolver visão; saiba quando ele chega ao mercado
A busca por restaurar a visão perdida deu um salto significativo na medicina moderna: cientistas de Stanford e colaboradores internacionais desenvolveram um chip de retina minúsculo que oferece esperança real a milhões de idosos.
Este novo sistema tem se mostrado eficaz no tratamento de uma das principais causas de cegueira irreversível: a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI). O dispositivo já permitiu que pacientes voltassem a reconhecer formas, objetos e até mesmo ler textos.
O que é o PRIMA System e como restaura a visão?
O sistema é conhecido como PRIMA e consiste em duas partes principais. A primeira é um pequeno chip de silício, do tamanho de uma cabeça de alfinete, implantado na retina.
A segunda parte é um conjunto de óculos especiais que utilizam uma microcâmera. Esses óculos projetam dados visuais por meio de luz infravermelha, invisível ao olho humano, diretamente para o implante.
O chip fotovoltaico, que não exige baterias nem fios internos, converte essa luz em impulsos elétricos. Esses pulsos estimulam as células remanescentes da retina, que enviam a informação ao cérebro, recriando a percepção visual.

Qual a diferença do Chip PRIMA para outras próteses?
O design subretiniano do PRIMA System, colocado sob a retina, permite uma experiência visual mais natural. O implante substitui diretamente os fotorreceptores danificados pela doença.
Dispositivos anteriores, como o Argus II, tinham baixa resolução e exigiam que o paciente aprendesse a interpretar padrões artificiais de luz. O PRIMA, ao atuar nas células bipolares, visa preservar o alinhamento visual natural.
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Para quem a nova tecnologia de chip é indicada?
A principal indicação do implante é para pacientes com DMRI seca em estágio avançado, conhecida como atrofia geográfica. Essa condição destrói os fotorreceptores centrais, responsáveis pela visão de detalhes.
É crucial que o paciente ainda possua as demais camadas da retina, como as células bipolares e o nervo óptico, parcialmente funcionais. Se todas as células da retina estiverem mortas, o chip não funcionará.
A DMRI é uma das maiores causas de perda de visão em idosos, afetando milhões de pessoas em todo o mundo. O chip é uma esperança para devolver autonomia a este grupo.

Os resultados clínicos do chip já foram comprovados?
Os resultados do ensaio clínico PRIMAvera, publicados em 2025, foram notavelmente positivos. Em centros de estudo em cinco países, mais de 80% dos participantes tiveram melhora significativa na visão central após um ano.
Os pacientes conseguiram ler números e palavras em casa. Alguns participantes apresentaram uma melhora de cinco linhas em uma tabela padrão de exame oftalmológico.
A visão restaurada ainda é limitada, sendo monocromática (preto e branco) e de resolução mais baixa. No entanto, ela permite distinguir contornos, objetos grandes e melhora a orientação espacial.
Quando o chip chega ao mercado e no Brasil?
A empresa americana Science Corporation, responsável pela produção do sistema PRIMA, busca atualmente aprovação para uso nos Estados Unidos e certificação na Europa.
A Science Corporation prevê que o chip desenvolvido em duas décadas de pesquisa chegue ao mercado globalmente no ano de 2026.
No Brasil, contudo, a previsão é mais cautelosa. A chegada comercial ao país pode ocorrer entre 2027 e 2029, após a aprovação internacional e parcerias locais.
A cirurgia do chip de retina é complexa?
Os especialistas destacam que a implantação do chip é uma cirurgia complexa, que requer boa capacitação cirúrgica. O procedimento envolve vitrectomia e a inserção do implante sob a retina.
Além disso, o sucesso do tratamento depende de um longo período de reabilitação e treinamento. Os pacientes precisam aprender a utilizar os óculos e a interpretar os estímulos gerados pelo chip.
Embora alguns efeitos adversos leves tenham ocorrido, como aumento da pressão ocular ou pequenas hemorragias, eles se resolveram até o final do período de 12 meses do estudo.
O avanço é comparado ao implante coclear, que também exige treinamento intensivo para que o cérebro interprete os sinais artificiais. O objetivo é que, no futuro, novas gerações de implantes permitam uma visão de resolução ainda maior.
