
Afinal, café é mocinho ou vilão? Saiba o que dizem os especialistas sobre seus efeitos à saúde
A complexa interação entre café e saúde é tema frequente de debates, dado que esta é a segunda bebida mais consumida pelos brasileiros, ficando atrás apenas da água. Durante muito tempo, o hábito de tomar o cafezinho foi visto com desconfiança, mas a ciência moderna tem reavaliado seu papel no organismo.
Hoje, as evidências apontam que a bebida não é apenas um estimulante, mas uma mistura complexa de mais de mil compostos bioativos, incluindo polifenóis antioxidantes. A resposta sobre se ele é benéfico ou prejudicial não é binária, dependendo crucialmente da dose ingerida e das características individuais de quem consome.
A moderação como chave para a longevidade
Grandes estudos populacionais indicam que o consumo moderado, situado entre duas a cinco xícaras por dia, está associado a uma maior longevidade e menor risco de morte por diversas causas. Essa relação é descrita pelos cientistas como uma “curva em J”, onde a ingestão moderada protege, mas o excesso pode reverter os benefícios.
Pesquisadores observaram que esse hábito pode reduzir o risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e até condições neurodegenerativas, como Parkinson. O efeito protetor parece independer se o café contém cafeína ou é descafeinado, sugerindo que os antioxidantes e anti-inflamatórios são os grandes responsáveis.
No que tange à saúde do coração, o consumo de até quatro xícaras diárias foi associado a um menor risco de insuficiência cardíaca. Além disso, a bebida pode atuar na proteção do fígado, reduzindo a progressão de fibroses e o risco de doenças hepáticas crônicas.

O método de preparo importa?
Um ponto de atenção levantado por especialistas é a forma como o café é preparado, pois isso altera sua composição química e seus efeitos no colesterol. O café expresso ou feito em prensa francesa preserva substâncias gordurosas chamadas cafestol e kahweol.
Esses compostos, quando consumidos em excesso, podem elevar os níveis de colesterol LDL no sangue, o que é um fator de risco cardiovascular. Já o café coado, que utiliza filtro de papel, retém a maior parte dessas substâncias, sendo considerado uma opção mais favorável para quem precisa controlar o colesterol.
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Saúde mental e os riscos do excesso
Embora a cafeína melhore o estado de alerta e o humor em doses adequadas, ela pode se tornar uma vilã para a saúde mental se consumida exageradamente. Doses elevadas, geralmente acima de 400 mg (cerca de 4 a 5 xícaras), podem desencadear ansiedade, insônia e palpitações.
Pessoas com predisposição genética ou transtornos de ansiedade preexistentes são mais sensíveis, podendo sofrer ataques de pânico com doses que seriam normais para outros. Além disso, a interrupção abrupta do consumo pode gerar sintomas de abstinência, como dores de cabeça e fadiga.

Cuidados específicos na gestação
Para grupos específicos, como gestantes, a cautela deve ser redobrada, pois o metabolismo da cafeína é mais lento durante a gravidez. O consumo elevado, acima de 300 mg por dia, tem sido associado a riscos de baixo peso ao nascer e parto prematuro.
Por isso, diretrizes de saúde sugerem limitar a ingestão para 200 mg diários nesse período, garantindo a segurança da mãe e do bebê. Em resumo, o café pode ser um grande aliado da saúde, desde que respeitada a individualidade biológica e a moderação.
