
Salto mortal na patinação no gelo: por que manobra foi extinta e agora é permitida?
A adrenalina tomou conta das arenas de gelo recentemente, trazendo de volta um movimento que, por quase cinco décadas, foi considerado um tabu absoluto. O salto mortal na patinação artística, antes motivo de desclassificação e polêmicas, hoje arranca aplausos de pé e define medalhas de ouro.
Ver um atleta desafiar a gravidade de costas no ar é uma das imagens mais marcantes do esporte moderno. No entanto, para os fãs mais antigos, a cena ainda causa espanto, remetendo a uma era onde a ousadia custava caro na pontuação dos juízes e na carreira dos competidores.
Essa reviravolta nas regras não aconteceu da noite para o dia. Ela é fruto de uma longa batalha entre a tradição clássica e a necessidade de inovação. Agora, o público testemunha uma nova fase onde o salto mortal na patinação deixou de ser um ato de rebeldia para se tornar um símbolo de evolução técnica.

Por que a manobra foi banida?
A história da proibição começa em 1976, após o norte-americano Terry Kubicka executar o movimento nos Jogos de Innsbruck. No ano seguinte, a União Internacional de Patinação (ISU) vetou a acrobacia. A justificativa principal era a segurança, pois o risco de lesões na cabeça e pescoço em quedas no gelo duro era considerado inaceitável.
Além do perigo físico, havia uma questão técnica e estética. A aterrissagem do mortal geralmente exigia o apoio dos dois pés, violando o princípio básico da patinação de aterrissar em uma única lâmina.
Para os dirigentes da época, o movimento se assemelhava demais ao circo ou à ginástica, desviando-se da elegância que o esporte prezava. Durante décadas, qualquer atleta que tentasse o salto mortal na patinação em competições oficiais sofria deduções automáticas de pontos, sendo desencorajado por treinadores e federações.
Leia também:
- Quem foi James Van Der Beek? Astro da série de sucesso ‘Dawson’s Creek’ morreu na última quarta-feira (11)
- Novo reality coreano chega ao streaming: saiba quando e onde estreia ‘A Batalha dos Destinos’
- Quem foi Jeffrey Epstein e quem são os famosos envolvidos no caso?
O protesto histórico de Surya Bonaly
Mesmo proibido, o movimento ganhou status de lenda em 1998, nos Jogos de Nagano. A francesa Surya Bonaly, sabendo que não tinha chances de ouro devido a uma lesão e discordando dos critérios dos juízes, decidiu fazer história de outra forma.
Em um ato de desafio, Bonaly executou o mortal durante sua apresentação livre. Para provar sua capacidade técnica superior, ela aterrissou em apenas um pé — algo inédito e extremamente difícil —, respeitando ironicamente a regra de aterrissagem, mesmo em um movimento ilegal.
Embora tenha sido penalizada e terminado em décimo lugar, sua atitude mudou a percepção do público. O episódio manteve o debate vivo, questionando se o esporte deveria permanecer preso a regras antigas ou abraçar o atletismo puro que o salto mortal na patinação representava.

A liberação e a nova era do esporte
A redenção da manobra ocorreu oficialmente em 2024. A ISU, buscando modernizar a modalidade e atrair um público mais jovem, decidiu que manter a proibição não era mais lógico diante do nível atlético atual dos competidores.
A manobra deixou a lista de elementos ilegais, passando a ser permitida como parte da sequência coreográfica. Embora não gere pontos técnicos diretos como os saltos quádruplos, ela não acarreta mais punições e enriquece a nota artística, incentivando a criatividade.
Atletas como o francês Adam Siao Him Fa e o norte-americano Ilia Malinin rapidamente incorporaram o salto mortal na patinação em seus programas. Em 2026, Malinin consagrou a mudança ao executar o movimento nas Olimpíadas, provando que a segurança e o espetáculo podem, finalmente, deslizar juntos.
