
Doramas: entenda porque fazem tanto sucesso e como a febre começou!
Doramas são séries televisivas asiáticas que, nos últimos anos, alcançaram um fenômeno cultural global, cativando audiências ao redor do planeta. Embora o termo “dorama” seja derivado da pronúncia japonesa da palavra “drama“, no cenário internacional, ele se tornou um guarda-chuva para séries de diversos países asiáticos.
Contudo, são os K-dramas, os dramas sul-coreanos, que se consolidaram como um elemento significativo na ficção televisiva seriada, sendo os mais conhecidos no Brasil. O sucesso crescente dessas produções se insere em um movimento cultural muito maior, conhecido como a Onda Coreana, ou Hallyu.
O que é Hallyu e como impulsionou os doramas?
A Hallyu refere-se à popularização global da cultura sul-coreana, que engloba K-pop, moda, gastronomia e, claro, os dramas. Essa onda cultural começou a ganhar força no final dos anos 1990, impulsionada por uma combinação de fatores econômicos e estratégias governamentais.
Um marco importante foi a crise financeira asiática de 1997, que traumatizou a Coreia do Sul, mas serviu como catalisador para a indústria cultural no exterior. Com a desvalorização do won sul-coreano, os primeiros produtos culturais coreanos, como novelas, foram exportados a preços mais acessíveis, sendo mais baratos que as produções americanas e japonesas.
Enquanto os doramas originais surgiram no Japão na década de 1940, o crescimento exponencial dos K-dramas se deu nesse contexto de expansão sul-coreana. O governo, após perceber o potencial de lucro da cultura, investiu no setor, transformando o entretenimento em uma ferramenta de soft power.
Produções pioneiras, como What is Love (1991), tiveram sucesso estrondoso na China, abrindo as portas para a exportação. Mais tarde, dramas como Winter Sonata (2002) conquistaram o Japão e solidificaram a entrada da Onda Coreana nesse mercado.

Fansubs e streaming: quem trouxe os doramas para o Ocidente?
Inicialmente, a disseminação dos doramas dependeu muito dos fansubs— grupos de fãs voluntários que traduziam as séries para seus idiomas locais. Munidos pela cultura participativa e o ciberespaço, esses fãs desempenharam um papel essencial na expansão do conteúdo asiático antes que as grandes empresas o notassem.
A explosão definitiva no Ocidente, no entanto, veio com o advento das plataformas de streaming, como Netflix e Viki. Esses serviços tornaram os doramas mais acessíveis globalmente, oferecendo legendas em português e uma vasta diversidade de títulos.
O Brasil se destacou nesse cenário, tornando-se um dos maiores consumidores mundiais de doramas. O interesse em K-pop e doramas no país cresceu quase 485% em apenas dois anos, refletindo um apetite voraz por essa cultura. Esse sucesso impressiona até mesmo os produtores coreanos.
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Por que os doramas coreanos viciam?
O formato narrativo dos doramas é um grande fator de seu sucesso e poder viciante. Ao contrário de muitas séries ocidentais que se arrastam por várias temporadas, os doramas geralmente têm um número definido de episódios, muitas vezes entre 16 e 20, com uma história que se fecha.
Essa duração mais curta permite aos espectadores maratonar a série rapidamente, proporcionando um fim satisfatório e evitando o cansaço do enredo prolongado. Além disso, a maneira como os episódios terminam, geralmente com cliffhangers “leves” ou “dramáticos”, mantém o público totalmente engajado e ansioso pelo dia seguinte ou pelo próximo episódio.
Outro ponto de atração é a diferença cultural e os clichês únicos. Muitos fãs relatam que os dramas coreanos oferecem uma inocência e pureza no amor que parecem revigorantes, fugindo das abordagens mais hormonais vistas nos dramas ocidentais.
Os doramas permitem que a audiência suspenda a descrença mais facilmente, aceitando temas de fantasia, reencarnação ou até mesmo clichês de “prazer culposo”, pois se passam em um contexto culturalmente distante.
Quais temas os doramas abordam para gerar identificação?
Embora muitas vezes associados ao romance e à comédia romântica, os doramas abordam uma rica diversidade de temas universais. O foco em questões como saúde mental, traumas pessoais e superação de desafios é particularmente significativo para os espectadores.
Séries como It’s Okay to Not Be Okay e Tomorrow tratam de forma delicada temas como ansiedade, depressão e a importância de aceitar as vulnerabilidades. O público não busca apenas entretenimento, mas valoriza a profundidade e a relevância social dessas narrativas.
Além dos romances e dramas pessoais, as produções coreanas também exploram temas complexos como desigualdade de classe, identidade nacional e a evolução dos papéis de gênero, muitas vezes apresentando personagens femininas fortes que desafiam as normas tradicionais.

O impacto cultural: doramas além da tela
O consumo massivo de doramas no Brasil vai muito além do entretenimento, exercendo um forte impacto na vida diária e nos hábitos dos fãs. Muitos espectadores relatam um aumento significativo no interesse pela cultura coreana, influenciando desde a percepção positiva do país até decisões práticas.
Não é incomum que os fãs comecem a estudar o idioma coreano para entender as nuances das séries ou que planejem viagens à Coreia do Sul. A influência se estende também aos hábitos de consumo, impulsionando a popularidade de K-beauty (produtos de beleza), moda e culinária coreana no país, com muitos fãs buscando replicar o que veem nas telas.
O sucesso estrondoso, com produções como Round 6 e Uma Advogada Extraordinária, mostra que os doramas se consolidaram como uma ponte cultural que conecta o Oriente e o Ocidente, transformando a Coreia do Sul em uma superpotência cultural que continua a fascinar milhões.
