Ciclone se aproxima do Brasil; veja qual será o impacto do fenômeno no país

Ciclone se aproxima do Brasil; veja qual será o impacto do fenômeno no país

A chega de um ciclone extratropical no Brasil volta a ser o centro das atenções meteorológicas e promete impactar significativamente diversas regiões do país na próxima semana. Associado ao avanço de uma frente fria, o fenômeno deve trazer uma combinação perigosa de chuvas volumosas, ventos fortes e uma intensa massa de ar frio.

A previsão aponta para a ocorrência de tempo severo em grande parte do centro-sul do país, atingindo não só o Sul, mas avançando até o Sudeste e Centro-Oeste. Meteorologistas reforçam a importância de monitorar os avisos, visto que as consequências de eventos anteriores já trouxeram prejuízos severos e até mesmo perdas humanas.

O que é ciclone extratropical e por que é comum no Brasil?

Ciclones são sistemas de baixa pressão atmosférica caracterizados por ventos que giram no sentido horário no Hemisfério Sul, concentrando umidade e provocando chuvas intensas. Existem três tipos: tropical, subtropical e extratropical. O fenômeno que mais frequentemente atinge o Sul do Brasil é o extratropical.

Este tipo de ciclone é o mais comum na América do Sul e está sempre ligado a uma frente fria. Seu núcleo é mais frio que a atmosfera externa, e sua formação é favorecida pela constante variação de temperatura na horizontal perto da superfície, um ingrediente frequente na nossa atmosfera.

Como o ciclone extratropical se forma e onde ele avança?

O processo de formação se inicia geralmente com o aprofundamento de uma área de baixa pressão atmosférica entre o norte da Argentina e o Paraguai. A pressão no centro deste sistema pode cair acentuadamente, uma condição que favorece o desenvolvimento de grandes nuvens de tempestade, conhecidas como cumulonimbus.

Essa área de baixa pressão continental ganha força ao avançar sobre o Sul do Brasil, configurando o novo ciclone extratropical, com modelos indicando sua formação tanto sobre o continente (entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina) quanto no litoral gaúcho. Embora haja variações nos modelos numéricos, a tendência de tempo severo é clara.

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Ciclone Brasil: quais estados serão mais afetados pela chuva e vento?

Os impactos mais severos serão sentidos na Região Sul, que é a única zona costeira do Brasil diretamente atingida por ciclones. O Rio Grande do Sul está em maior risco de temporais, com rajadas de vento que podem ultrapassar os 100 km/h, especialmente no centro-oeste e sudoeste do estado.

Ciclone se aproxima do Brasil; veja qual será o impacto do fenômeno no país
Crédito: Khamkéo / Unsplash

Em Santa Catarina e Paraná, as tempestades também devem se intensificar. Nestes estados, as rajadas de vento podem variar entre 70 km/h e 90 km/h. É esperado também alto risco de queda de granizo e grande volume de descargas elétricas em toda a região Sul.

Chuvas e rajadas de vento: qual o volume de precipitação esperado?

Em relação à chuva, os volumes acumulados podem ser preocupantes, principalmente em áreas que já foram recentemente afetadas por precipitações significativas. No Sul do Rio Grande do Sul, acumulados diários acima de 70 milímetros são possíveis.

Os maiores totais, no entanto, podem se concentrar entre o nordeste gaúcho e o sul e leste de Santa Catarina, onde não se descarta a possibilidade de acumulados diários em torno de 100 mm. Tais volumes elevam o alerta para possíveis cheias de arroios e alagamentos urbanos.

Os ventos fortes também devem se espalhar para o Centro-Sul do Brasil. Condição de tempo mais ventoso é prevista para Mato Grosso do Sul e sul de São Paulo. Além disso, as rajadas podem ganhar força e atingir áreas do litoral da região Sudeste, incluindo partes de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Queda de temperatura: o frio do ciclone chega até a Amazônia?

O ciclone extratropical estará associado a uma intensa massa de ar frio que avançará de forma continental pelo País. As temperaturas máximas começarão a cair no Rio Grande do Sul com o aumento da nebulosidade e da chuva, mas o ar frio se espalhará rapidamente.

A partir de quarta-feira, a massa de ar frio avança sobre o Sul e Mato Grosso do Sul, e na quinta-feira deve atingir Mato Grosso, Rondônia, sul do Acre, oeste e sul de Goiás, São Paulo e áreas de Minas Gerais e Rio de Janeiro. Esta queda de temperatura pode ser drástica, com a previsão indicando uma redução de 10°C a 12°C nas mínimas e máximas em alguns pontos.

A chegada desse ar polar, ao avançar pelo interior do País e atingir o sul da região amazônica a partir de meados da semana, configurará um novo evento de friagem.

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Crédito: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Alerta de impacto: por que a vigilância é fundamental?

Eventos de ciclone extratropical no Sul do Brasil já demonstraram o seu potencial devastador, como o ocorrido em setembro de 2023, que resultou em 37 óbitos, marcando a pior tragédia natural em número de mortos na história gaúcha.

Embora os meteorologistas estejam monitorando a formação, há diferenças entre os modelos numéricos quanto à data exata e a área de configuração do ciclone. Por isso, órgãos como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) reforçam a importância do acompanhamento diário da previsão do tempo e dos avisos meteorológicos especiais para que a população se prepare.

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