
Guerra entre Israel e Palestina acabou? Confira o que aconteceu de fato e os próximos passos esperados
A guerra entre Israel e Palestina, intensificada desde outubro de 2023 e marcada por um nível de violência sem precedentes neste século, alcançou um momento crucial: a primeira fase de um acordo de cessar-fogo foi assinada em outubro de 2025. Após dois anos de conflito, que muitos especialistas classificaram como genocídio, a população de Gaza encontrou uma nova esperança, embora o fim definitivo da guerra ainda seja incerto.
O acordo inicial, mediado por Estados Unidos, Catar e Turquia, começou a entrar em vigor após a assinatura no Egito. O principal marco desta primeira fase foi a aguardada troca de prisioneiros e reféns.
O que aconteceu de fato no acordo de paz entre Israel e Hamas?
O dia 13 de outubro de 2025 foi histórico: reféns israelenses, mantidos pelo Hamas, retornaram ao território de Israel, ao mesmo tempo em que quase 2 mil palestinos que estavam em prisões foram libertados. Além dos reféns vivos, os corpos de 28 reféns falecidos em cativeiro foram entregues à Cruz Vermelha.
Este primeiro passo incluiu ainda o anúncio da retirada das tropas israelenses de aproximadamente 75% da Faixa de Gaza. Em Khan Yunis, no sul de Gaza, os palestinos celebraram o acordo com aplausos e danças, em um território assolado pela fome extrema.
A entrada de ajuda humanitária em Gaza, território devastado, também foi um ponto central. O Crescente Vermelho egípcio informou que caminhões com suprimentos já estavam a caminho. Estima-se que 400 caminhões de ajuda deveriam entrar diariamente nos primeiros cinco dias de cessar-fogo.

A guerra Israel-Palestina realmente acabou?
Apesar da alegria da trégua e da troca de prisioneiros, especialistas observam o cenário com cautela. O acordo assinado representa apenas a primeira fase do plano, e pontos altamente complexos e essenciais para uma paz duradoura permanecem sem solução.
Entre as questões pendentes estão o completo desarmamento do Hamas e sua renúncia ao governo da Faixa de Gaza. Tais condições, impostas pelo plano, ainda não foram aceitas pelo grupo.
No lado israelense, a política interna também é uma complicação. Ministros nacionalistas do governo de Benjamin Netanyahu manifestaram-se contrários ao acordo, o que adiciona uma dinâmica interna volátil ao processo de paz.
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Por que a desumanização perpetua o conflito Israel-Palestina?
O fim do conflito é dificultado pelas causas profundas do ódio e da desumanização mútua. A violência e a identidade em conflitos prolongados são coconstitutivas, e a desumanização do “outro” serve como um mecanismo que legitima o uso da força.
Após os ataques bárbaros de outubro de 2023, o ódio que moveu o Hamas, e a resposta desmedida de Israel, estão profundamente enraizados na mente das pessoas. O sofrimento extremo vivenciado pela população palestina em Gaza, que perdeu pais, irmãos, escola e infraestrutura básica, torna esses jovens uma massa de manobra fértil para a proliferação de ideias terroristas.
A única forma de combater o ódio é cultivando a ideia de convivência pacífica e o reconhecimento do direito de o outro existir. Esta tarefa, no entanto, é vista como muito difícil de ser alcançada rapidamente.
Quais são os próximos passos e os grandes desafios do processo de paz?
Para avançar, os pontos em aberto devem ser resolvidos, exigindo a capacidade de exercer pressão sobre Israel por parte de países como os Estados Unidos, de quem Israel depende fortemente para armas e munições. O Hamas, enfraquecido e perdendo apoio de países árabes, aposta na pressão norte-americana para que as hostilidades não retornem.
Como sinal de seu forte propósito de iniciar a reconstrução em Gaza, os EUA enviaram 200 militares especialistas em logística e ajuda humanitária, que formarão a base de um futuro governo temporário. A Turquia também se ofereceu para participar da fiscalização e da reconstrução do território.
A comunidade internacional, incluindo a Assembleia Geral da ONU, tem reiterado o apoio à solução de dois Estados, um judeu e um árabe, respeitando os limites geográficos estabelecidos pela ONU em 1947. Contudo, Israel continua a ser considerado um “Estado fora da lei” devido à ocupação de territórios e às violações do direito internacional.

Solução de dois estados: qual a posição internacional?
O Brasil, por exemplo, reconhece o Estado Palestino desde 2010 e condenou o uso desproporcional da força por Israel, classificando a situação em Gaza como um genocídio. O país defende que o respeito aos direitos palestinos é um elemento indispensável para uma paz justa e duradoura no Oriente Médio.
Enquanto Islândia, Suécia, Noruega, Espanha e Irlanda reconhecem a Palestina, a maioria da Europa segue submetida ao veto dos Estados Unidos. Os EUA, por sua vez, exigem negociações para a libertação dos reféns e ponderam contra o reconhecimento unilateral do Estado Palestino.
Sem uma solução política que garanta a sobrevivência do povo palestino e a segurança dos próprios israelenses, o conflito continuará a se perpetuar, acelerando inclusive o declínio socioambiental de Israel, que já enfrenta uma crise econômica e aumento da emigração de seus jovens. A história tem mostrado que a paz só é alcançada pelo caminho da política, e não pela força.
