Milhões de brasileiras podem garantir medicamento de graça; entenda

Milhões de brasileiras podem garantir medicamento de graça; entenda

O acesso a um importante medicamento de graça de última geração está se tornando uma realidade para milhões de brasileiras que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS). Esta semana marcou um avanço histórico no tratamento oferecido pela rede pública, representando um salto na oncologia nacional.

O Ministério da Saúde recebeu o lote inicial do trastuzumabe entansina, um fármaco inédito que havia sido incorporado ao SUS em 2022, mas que agora inicia sua distribuição. A chegada deste insumo visa democratizar o acesso a terapias que antes eram restritas à rede privada devido ao seu custo elevado.

O que mudou no tratamento oncológico pelo SUS?

Esta nova terapia de alto custo faz parte de um robusto conjunto de ações federais para fortalecer a atenção oncológica no país. O investimento total do governo na compra desse medicamento específico chega a R$ 159,3 milhões para adquirir 34,4 mil frascos-ampola do fármaco.

Segundo o Ministério da Saúde, a negociação permitiu um desconto de até 50% em relação ao mercado privado, gerando economia significativa e garantindo a gratuidade. O diretor do Departamento de Atenção ao Câncer classificou a chegada do trastuzumabe entansina como um avanço gigantesco para a oncologia nacional.

O volume total de insumos adquiridos tem a capacidade de atender a 100% da demanda atual do SUS para esta indicação. A projeção da pasta é que 1.144 pacientes já sejam beneficiadas com a terapia moderna do trastuzumabe entansina ainda no decorrer de 2025.

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Crédito: João Risi/MS / gov.br

Medicamento de alto custo: quem tem direito a essa nova terapia?

O fármaco incorporado é uma terapia-alvo que atua como um anticorpo conjugado a droga, uma classe terapêutica moderna. Ele é aplicado via infusão e tem uma ação mais precisa, ligando-se a uma proteína específica do tumor.

Sua indicação é prioritária para pacientes com câncer de mama HER2-positivo em estágio III, classificado como agressivo e avançado. De modo geral, o tratamento é oferecido quando o câncer segue apresentando sinais mesmo após a quimioterapia inicial.

O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do câncer de mama recomenda o uso do trastuzumabe entansina como tratamento sistêmico adjuvante. O objetivo é diminuir a possibilidade de avanço da neoplasia em pacientes que ficam com restos tumorais.

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Redução de mortalidade em 50%: qual o impacto real?

O impacto clínico deste novo medicamento de graça é considerado inquestionável, pois o trastuzumabe entansina é capaz de reduzir a mortalidade das pacientes elegíveis em até 50%. O tratamento também garante 50% menos recidiva local da doença, oferecendo novas perspectivas de sobrevida.

O trastuzumabe entansina é um dos cinco novos procedimentos incorporados ao SUS recentemente, visando melhorar a qualidade de vida e reduzir a mortalidade das mulheres. O Protocolo unifica as condutas e estabelece esquemas terapêuticos como padrão de excelência na rede pública.

Como conseguir o medicamento de graça na rede pública?

A distribuição do medicamento será feita em etapas, seguindo um cronograma logístico. A primeira remessa, composta por 11.978 unidades, chegou ao país em 13 de outubro, em São Paulo.

A expectativa é que o tratamento comece a ser oferecido às pacientes ainda a partir deste mês, estendendo-se até o começo de novembro. O cronograma de entrega prevê mais três lotes, que devem ser recebidos em dezembro de 2025, março e junho de 2026.

As unidades serão primeiramente repassadas às secretarias estaduais de saúde, que ficam responsáveis pela distribuição. O acesso segue os protocolos clínicos vigentes e depende da avaliação e prescrição do oncologista da rede pública.

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Crédito: freepik / Freepik

Esforços em diagnóstico precoce e tratamento

A chegada do trastuzumabe entansina faz parte de um esforço mais amplo do Ministério da Saúde, anunciado no Outubro Rosa. Entre as ações anunciadas, está a garantia de acesso à mamografia no SUS para mulheres a partir dos 40 anos, mesmo sem sintomas.

Esta ampliação visa o diagnóstico precoce, pois a faixa etária de 40 a 49 anos concentra quase um quarto dos casos (23%), aumentando significativamente as chances de cura. Além disso, o SUS também ampliou o rastreamento ativo para mulheres até 74 anos.

O governo federal também incluiu a compra de outros medicamentos modernos, como os inibidores de ciclinas (abemaciclibe, palbociclibe e ribociclibe). A meta é que o tempo de espera para o início do tratamento de câncer de mama no SUS seja reduzido para até 30 dias após o diagnóstico.

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