O que é a COP30 e o que ela pode influenciar na sua vida?

O que é a COP30 e o que ela pode influenciar na sua vida?

A COP30 (30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima) está marcada para novembro de 2025, na capital paraense. Embora a conferência oficial ainda não tenha começado, Belém já vive intensamente a fase de preparação, com obras e mobilização de recursos federais e estaduais.

Este encontro anual da ONU, considerado um dos principais eventos globais sobre o clima, será histórico por marcar os dez anos do Acordo de Paris. A escolha da Amazônia como sede reforça o papel estratégico do Brasil e coloca a maior floresta tropical do mundo no centro das discussões globais.

Obras da COP30 em Belém: o legado que já começou

A preparação da cidade para a COP30 envolve investimentos federais que superam os R$ 4,7 bilhões, com ações coordenadas pelos governos municipal, estadual e federal. A ideia é deixar um legado concreto para os moradores, que vá além do evento, transformando o cotidiano de Belém.

Uma das mudanças mais percebidas pela população é o ritmo acelerado de recuperação de vias: cerca de 300 ruas, totalizando quase 90 quilômetros, estão recebendo nova pavimentação asfáltica em 32 bairros. Há também planos para estender o BRT (Bus Rapid Transit) e integrar o Aeroporto Internacional à rede de transporte rápido.

O transporte público também será modernizado com a aquisição de 265 novos veículos, muitos deles com tecnologias limpas. Desses, 40 serão elétricos (zero emissão de GEE) e 225 usarão a tecnologia Euro 6, que reduz em até 15 vezes a emissão de carbono em relação aos modelos antigos. Todos os novos ônibus terão ar-condicionado e wi-fi.

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A economia e a corrida por novas metas climáticas

A COP30 será decisiva, pois os países devem apresentar suas novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), que são as metas de redução de emissões de GEE a serem cumpridas até 2035. O objetivo central é checar se o conjunto dessas propostas será suficiente para limitar o aquecimento global a 1,5°C.

Neste momento pré-conferência, a pressão internacional é grande, mas 80% dos países ainda não atualizaram suas metas de redução de gases. Negociações intensas seguem em andamento, abordando temas cruciais como o financiamento climático para perdas e danos e a transição justa para o fim dos combustíveis fósseis.

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Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

O Brasil corre risco de pagar a conta climática?

O Brasil se aproxima da COP30 em uma posição delicada, apesar de possuir uma matriz energética relativamente limpa. O atraso na definição e aprovação de seu Mercado Brasileiro de Redução de Emissões (MBRE) pode levar o país a perder competitividade internacional.

Empresas brasileiras de setores como aço, cimento, soja e carne estão entre as mais vulneráveis a sofrer taxações e restrições em mercados exigentes, como o europeu, que já aplica tarifas climáticas (CBAM). A conferência em Belém, portanto, pode definir as regras econômicas das próximas décadas.

Desafios sociais e a injustiça climática em Belém

Apesar dos investimentos em infraestrutura, a cidade enfrenta sérios problemas estruturais. Cerca de 10% da população de Belém reside em áreas sob risco de desastres hidrogeológicos, como inundações e alagamentos, que são agravados pela crise climática.

Moradores criticam que as obras anunciadas para o “legado da COP” são, em alguns casos, projetos de macrodrenagem iniciados em 1996 e paralisados por quase três décadas, agora reempacotados. Essa desconfiança se acentua pela paralisação de projetos importantes, como o do Canal do Caraparu, e pelos baixos valores oferecidos nas indenizações para remoção de famílias vulneráveis.

Como a inclusão de comunidades pode mudar o jogo?

Para que a COP30 deixe um legado transformador e efetivo, é essencial a articulação com a justiça climática. Isso significa dar protagonismo e voz aos povos indígenas, ribeirinhos e comunidades periféricas que vivem nas áreas mais atingidas.

O presidente da República reforçou a importância de “discutir a Amazônia dentro da Amazônia, vendo os indígenas e vendo os povos ribeirinhos”. Contudo, especialistas apontam que o sucesso dependerá da inclusão efetiva desses grupos na governança e na distribuição equitativa dos benefícios e custos das ações climáticas.

Como a crise climática interfere na sua vida hoje?

As mudanças climáticas não são uma ameaça distante; 97% da população brasileira afirma já percebê-las em seu cotidiano. A crise se manifesta na saúde, na economia doméstica e no bem-estar mental.

Eventos extremos como secas severas (que atingiram o Cerrado e o Pantanal) e inundações devastadoras (como no Rio Grande do Sul) demonstram os riscos à vida e à sustentação econômica, como a perda da regularidade hídrica. Sentimos o impacto no preço de alimentos e no calor insuportável.

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Crédito: jcomp / Freepik

A preocupação com o futuro do planeta também gera um sofrimento emocional crescente, conhecido como ecoansiedade, especialmente entre os jovens. A missão da COP30, portanto, vai além da diplomacia; ela busca a unidade global para desarmar essa “bomba relógio” climática.

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