
Pix terá rastreamento contra golpes; entenda
O Pix, sistema de pagamento instantâneo que se consolidou na rotina dos brasileiros, está recebendo um reforço significativo na segurança. O Banco Central (BC) anunciou mudanças focadas em rastrear o caminho percorrido pelo dinheiro após um golpe, mecanismo que visa aumentar drasticamente as chances de devolução de valores às vítimas.
Atualmente, a notificação de fraude permite o bloqueio de recursos apenas na primeira conta que recebeu a transferência. O grande desafio é que os criminosos agem rápido, transferindo o dinheiro para contas intermediárias, muitas vezes “contas laranjas”, antes que o bloqueio seja efetivado.
Para resolver esse problema, o Mecanismo Especial de Devolução (MED) será ampliado na versão 2.0. O novo sistema vai rastrear as transações em várias camadas, o que o diretor do BC Renato Dias de Brito Gomes chamou de “árvore de transações”.
Essa rastreabilidade em cadeia permitirá bloquear valores que já foram transferidos para contas de destino intermediárias. A expectativa do BC é que o rastreamento mais robusto dificulte a ação dos fraudadores, que não terão mais facilidade para dispersar o dinheiro.

O que muda com o rastreamento em camadas do Pix?
A nova funcionalidade de rastreamento e compartilhamento de informações entre as instituições financeiras começa a valer a partir de 23 de novembro. Inicialmente, a adoção será opcional para os bancos que participam do Pix, mas se tornará obrigatória para todas as instituições a partir de 2 de fevereiro de 2026.
Essa medida deve impactar positivamente um cenário onde o volume de devoluções por fraudes, erros e golpes já ultrapassa R$ 1,5 bilhão nos últimos quatro anos. Somente em 2024, houve um aumento de quase 99% nos pedidos de estorno em comparação com 2023, mostrando a urgência das melhorias.
O rastreamento em multicamadas possibilita que os recursos sejam bloqueados em diferentes pontos da cadeia de movimentação. Isso aumenta a probabilidade de a vítima recuperar o dinheiro, mesmo que o golpista já o tenha repassado diversas vezes.
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Botão de contestação: agilidade para vítimas de golpes Pix
Para complementar o rastreamento, o BC implementou o autoatendimento do Mecanismo Especial de Devolução (MED). Desde 1º de outubro, o usuário pode contestar transações fraudulentas diretamente pelo aplicativo do banco, sem a necessidade de falar com um atendente.
A contestação, acionada pelo chamado “botão de contestação” na área Pix do app ou no extrato da conta, agiliza o processo de denúncia e o bloqueio na conta do golpista. Esse avanço é crucial, já que a rapidez é determinante para a recuperação dos valores.
Após a contestação ser registrada, os bancos envolvidos têm um prazo de até sete dias para analisar a ocorrência e confirmar o golpe. Se a fraude for comprovada, a devolução do dinheiro à vítima deve ser efetuada em até 11 dias após a abertura da reclamação.
É importante lembrar que o botão de contestação é exclusivo para casos de fraude, golpe ou crime, e não se aplica a erros de digitação de chave, arrependimento de compra ou desacordos comerciais.
O BC também já permite que os usuários anexem documentos, como boletins de ocorrência e prints, para apoiar a análise do caso após a abertura do MED.

Como funciona o MED 2.0 e quando ele será obrigatório?
O novo sistema aprimora a comunicação e o compartilhamento de informações de segurança entre os bancos. Quando uma notificação de infração é aberta pelo banco do pagador, o banco do recebedor deve bloquear imediatamente os recursos na conta suspeita.
Se o saldo for insuficiente, a instituição tem a obrigação de monitorar a conta por até 90 dias a partir da transação original, efetuando bloqueios parciais em caso de novos créditos. O MED 2.0 eleva a eficácia desse monitoramento ao mapear as transações seguintes feitas pelo fraudador.
As novas regras buscam responsabilizar mais as instituições e fornecer-lhes melhores subsídios para detecção e prevenção de fraudes, incluindo a marcação de chaves e usuários com histórico de infração, como nos casos de “conta laranja”.
A fase opcional do novo rastreamento inicia em 23 de novembro e se estende até a obrigatoriedade, em fevereiro de 2026. O objetivo final é criar um ecossistema financeiro mais seguro, onde a agilidade e a transparência se unem para proteger o consumidor.
