
A história do Réveillon de Copacabana: conheça a origem da maior festa de Ano-Novo do mundo
Reconhecido internacionalmente como a maior festa de Ano-Novo do mundo, o Réveillon de Copacabana ilumina a orla carioca anualmente, mas sua origem remonta à fé e à resistência cultural, muito antes dos holofotes globais. Até meados do século XX, a praia ficava praticamente deserta na noite de 31 de dezembro, com as celebrações restritas a clubes de elite.
A transformação do evento começou de forma modesta e religiosa, longe da pirotecnia atual. Foi a apropriação popular das areias, movida pela devoção às religiões de matriz africana, que moldou a identidade da festa. O que hoje é um espetáculo turístico, nasceu como um ato de sagrado e comunhão.

A origem na Umbanda: resistência e fé nas areias
A história mudou na década de 1960, quando Tata Tancredo da Silva Pinto, sacerdote do Omoloko, passou a organizar encontros religiosos na praia. O objetivo era combater o preconceito religioso e celebrar os orixás publicamente.
Foi nesse contexto que se popularizaram rituais hoje universais, como vestir branco, levar flores e fazer oferendas a Iemanjá. O movimento cresceu nos anos 70, atraindo multidões de fiéis e curiosos, tornando a orla um espaço democrático de sincretismo.
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A era dos hotéis e a cascata de fogos do Méridien
Percebendo o potencial turístico daquela movimentação, o setor hoteleiro passou a investir na festa. A queima de fogos começou com empresários locais, como os da antiga churrascaria By Marius, no final dos anos 70.
Porém, a imagem icônica da virada se consolidou nos anos 80 com o Hotel Méridien. A famosa cascata de fogos que descia os 39 andares do prédio parava o trânsito e atraía milhares de olhares.
Por questões de segurança, após acidentes na areia, a pirotecnia foi transferida para balsas no mar nos anos 2000. Essa mudança permitiu ampliar o espetáculo visual, garantindo a segurança do público e a magnitude do show.

O show de Rod Stewart e a conquista do Guinness
Para organizar o fluxo da multidão e evitar tumultos na saída, a prefeitura introduziu grandes shows musicais na década de 90. A estratégia culminou em um marco histórico na virada de 1994 para 1995.
O cantor Rod Stewart realizou um concerto gratuito que reuniu entre 3,5 e 4 milhões de pessoas nas areias de Copacabana. O feito colocou o evento no Guinness Book como o maior show de rock gratuito da história.
Além do show histórico, o evento foi reconhecido oficialmente pelo Guinness World Records como a maior festa de Réveillon do mundo, validando sua magnitude perante o planeta. O título certifica a relevância da celebração, que reúne anualmente milhões de turistas e cariocas para assistir ao inigualável espetáculo pirotécnico e musical.
