Tem idade certa para a criança parar de mamar no peito? Saiba o que dizem os especialistas

Tem idade certa para a criança parar de mamar no peito? Saiba o que dizem os especialistas

A discussão sobre a idade ideal para o mamar no peito é uma das que mais gera dúvidas e polêmicas entre as famílias. Muitos pais e mães se perguntam se existe um prazo final estabelecido por profissionais da saúde para encerrar a amamentação.

É fundamental buscar a orientação de especialistas e orgãos de saúde para entender as diretrizes oficiais e, assim, tomar a melhor decisão para o binômio mãe-bebê. O leite materno é reconhecido como uma prática essencial para a saúde e o desenvolvimento infantil.

O que a OMS e a SBP recomendam sobre a idade do desmame?

A Organização Mundial da Saúde (OMS), o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) estabelecem a mesma orientação global sobre a amamentação. A principal recomendação é que a criança receba leite materno exclusivamente nos primeiros seis meses de vida, sem a necessidade de chás, água ou outros líquidos.

Após esse período de seis meses, a amamentação deve ser complementada com a introdução de alimentos saudáveis adequados à rotina familiar. Contudo, o aleitamento não deve ser interrompido, mas sim mantido.

Os organismos de saúde recomendam a continuidade do ato de mamar no peito até pelo menos os dois anos de idade da criança, ou até mesmo mais. O termo “ou mais” existe justamente para reforçar que a decisão final deve ser da mãe, do bebê e da família.

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Crédito: katemangostar / Freepik

Benefícios do mamar prolongado: o leite ainda é importante após os 2 anos?

Apesar de a criança já ter uma dieta de sólidos bem estabelecida, o leite materno segue proporcionando benefícios significativos. Os especialistas destacam que os ganhos vão muito além da nutrição básica.

O leite materno contém uma combinação complexa de nutrientes, anticorpos e fatores bioativos ajustados às necessidades da criança. Ele fortalece o sistema imunológico, reduzindo a incidência de infecções respiratórias, gastrointestinais e otites médias.

Há também uma associação comprovada entre amamentação e um menor risco de doenças crônicas na vida adulta. Isso inclui a redução de chances de desenvolver obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

Do ponto de vista cognitivo, a amamentação promove o desenvolvimento. Crianças que mamam tendem a apresentar melhor desempenho em testes de QI e habilidades cognitivas na infância e adolescência.

Além dos ganhos físicos, a amamentação prolongada fortalece o vínculo emocional entre mãe e filho. O contato físico e as interações próximas promovem a sensação de segurança e bem-estar, essenciais para o desenvolvimento psicossocial saudável.

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Desmame: como deve ser a transição?

O processo de desmame é o encerramento da amamentação e pode ser iniciado a partir dos seis meses, quando a criança começa a se interessar por outros alimentos. No entanto, é fundamental que a transição seja gradual e respeitosa.

Os especialistas advertem que o desmame abrupto deve ser evitado a todo custo. Se a criança não estiver pronta, pode se sentir rejeitada e manifestar insegurança.

Para a mãe, a interrupção repentina pode causar problemas físicos como ingurgitamento mamário e mastite, além de desencadear tristeza ou depressão.

A forma mais recomendada é o desmame gentil, que envolve retirar uma mamada por vez, substituindo-a por formas de conexão, como abraços ou brincadeiras. Essa abordagem gradual respeita o tempo tanto do bebê quanto as emoções da mãe.

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O que acontece se a criança mamar por muitos anos?

Estudos antropológicos sugerem que a idade natural para os humanos pararem de mamar poderia ser de dois a quatro anos, podendo chegar até seis ou sete anos. Portanto, levar o aleitamento adiante não é considerado um exagero pelos órgãos de saúde.

A amamentação prolongada não causa malefícios comprovados, nem para a mãe, nem para a criança. O que acontece é a continuidade dos benefícios de proteção e vínculo.

O vínculo entre mãe e filho, estabelecido pelo ato de mamar, se transforma, mas permanece forte após o desmame. Momentos de carinho, rotinas de cuidados e comunicação são novas formas de manter essa conexão.

Qual é o papel da família no processo de desmame?

O apoio familiar é crucial, especialmente durante o desmame, que é uma fase emocionalmente intensa. O pai ou parceiro, e outros familiares, podem colaborar ao oferecer amor e evitar julgamentos.

Auxiliar na oferta de refeições sólidas e água, e participar de brincadeiras e momentos de carinho, ajuda a criança a crescer e a se relacionar além do peito. O mais importante é que a decisão do fim da amamentação seja tomada com base nas necessidades da família.

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