O que aconteceu com o Biotônico Fontoura? Saiba que fim levou o medicamento sucesso nos anos 80 e 90

O que aconteceu com o Biotônico Fontoura? Saiba que fim levou o medicamento sucesso nos anos 80 e 90

Se você cresceu nas décadas de 1980 ou 1990, é quase certo que a garrafa escura do Biotônico Fontoura fez parte da sua infância. O fortificante era presença obrigatória antes das refeições em muitos lares brasileiros.

Conhecido pelo jingle inesquecível e pela promessa de abrir o apetite das crianças, o produto marcou gerações. No entanto, ele parece ter sumido da mídia ostensiva que ocupava antigamente.

Muitos consumidores se perguntam se o produto deixou de existir ou se apenas mudou de nome. A verdade é que ele continua no mercado, mas passou por transformações radicais em sua composição.

A mudança mais drástica ocorreu por força da lei, alterando o sabor que ficou na memória de muitos adultos. Entenda a seguir a trajetória e o atual momento dessa marca centenária.

A origem com Monteiro Lobato e o Jeca Tatu

A história do medicamento começa muito antes do sucesso na TV, em 1910. O farmacêutico Cândido Fontoura criou a fórmula original com o objetivo de tratar a saúde fragilizada de sua esposa.

O nome do produto foi batizado por ninguém menos que Monteiro Lobato, amigo pessoal de Fontoura. O escritor, sentindo-se revigorado após o uso, ajudou a popularizar a marca.

Foi Lobato quem criou o Almanaque Fontoura, que trazia as aventuras do Jeca Tatu. O personagem, antes símbolo de preguiça e doença, tornava-se forte após tomar o remédio e usar calçados.

Essa estratégia de marketing foi revolucionária para a época. O almanaque chegou a ter tiragens milionárias, consolidando o produto no imaginário popular brasileiro por décadas.

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Crédito: Reprodução

Por que a Anvisa proibiu a fórmula original do Biotônico?

O ponto de virada na história do fortificante aconteceu em 2001. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou uma mudança obrigatória na fórmula do produto.

O motivo era o alto teor alcoólico da composição original. O “tônico” possuía cerca de 9,5% de álcool etílico, uma quantidade superior à de muitas cervejas.

Estudos indicavam que o consumo regular por crianças poderia ser prejudicial. Havia o risco de dependência futura e efeitos imediatos indesejados devido à ingestão de etanol na infância.

Para continuar nas prateleiras, a marca precisou remover totalmente o álcool. Isso alterou o perfil sensorial do produto, gerando estranhamento nos consumidores mais antigos.

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O Biotônico Fontoura ainda dá fome?

Outra dúvida comum refere-se à eficácia do produto atual. Antigamente, acreditava-se que o álcool presente na fórmula ajudava a estimular o apetite através da atividade gástrica.

Hoje, o produto é classificado como um suplemento mineral. Sua base é o sulfato ferroso, indicado para auxiliar no combate à anemia ferropriva, e não necessariamente para “abrir o apetite” como antes.

A retirada do açúcar foi outra atualização recente. Em 2021, buscando adaptar-se às novas exigências nutricionais dos pais, a fórmula passou a ser livre de açúcares.

Portanto, o foco mudou. De um estimulante de apetite com base alcoólica, ele se posicionou como um complemento para auxiliar na imunidade e energia através do ferro.

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Crédito: freepik / Freepik

Novos sabores e o mascote Tonico

Para tentar reconquistar o paladar infantil sem o álcool e o açúcar, a empresa investiu em novidades. Foram lançadas versões com sabores de uva e morango, além do tradicional.

A comunicação visual também se modernizou. Em 2017, foi criado o mascote “Tonico”, um leão, fazendo referência à antiga expressão popular de ter uma “fome de leão”.

Atualmente produzido pela Hypera Pharma, o frasco de vidro também foi substituído. A nova embalagem de plástico visa facilitar o transporte e evitar acidentes domésticos.

Mesmo com tantas mudanças, a marca sobrevive. Ela se mantém como uma das mais antigas em circulação no Brasil, tentando equilibrar a tradição centenária com as exigências da saúde moderna.

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